Para sempre
Imagina que, por capricho do destino, as portas que nos separam se escancaravam de par em par, deixando-nos livre o acesso um ao outro. Imagina que eu as atravessava para ir ao teu encontro e que tu me recebias. Imagina ainda que começávamos a dar-nos e a conhecer-nos e que tudo aquilo com que sempre sonháramos começava por fim a acontecer.
Se tudo isso finalmente acontecesse, será que irias encontrar em mim a mesma pessoa que imaginavas que eu era? Mostrar-te-ias tu uma pessoa diferente daquela que eu imaginava que serias? E o que faríamos nessa altura? de que passaríamos a conversar? De que nos iríamos rir? Como nos iríamos abraçar? Dois estranhos um para o outro.
O melhor é que o destino não intervenha. Que se deixe ficar quietinho lá onde estiver e que eu e tu continuemos a ser um para o outro aquilo que sempre fomos um para o outro. Que as nossas conversas, os nossos risos e os nossos abraços continuem a acontecer, de forma real, nas nossas cabeças. Que tu continues a ser a mulher mais especial que alguma vez conheci. Para sempre.