O que foi decidido
Tenho de te esquecer!
Foi o deliberado por unanimidade
na assembleia de neurónios.
Tento convencer-me,
para ser mais fácil,
de que não gostas de mim,
de que me consideras mesquinho,
um vil praticador de assédio,
como por aí há tantos agora,
se calhar também eles
com a ilusão de que são amados,
pobres coitados.
Mas como posso esquecer-te
se quando passo por ti
olhas para mim assim?
Este ponto não foi discutido.
E muito menos quiseram ouvir
o que o coração tinha para dizer.
Senão, teria ficado lavrado
que, para não morrer,
não te poderia esquecer.